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Mieloma múltiplo

Você sabe do que se trata essa doença?

Jornal Ponta Grossa
Por: Jornal Ponta Grossa Fonte: LAOH - UEPG
10/03/2023 às 10h35
Mieloma múltiplo

Março é o mês de conscientização do mieloma múltiplo, condição que vem ganhando destaque nos últimos anos. Você sabe do que se trata essa doença? Quais são os sintomas, grupos de risco, diagnóstico e tratamento? Nesse texto explicaremos de forma sucinta as características dessa doença.

O que é mieloma?

Mieloma é um câncer que se desenvolve na medula óssea, através de células chamadas de plásmócitos. Por inúmeros motivos, essas células sofrem mutação e começam a se multiplicar sem controle, formando um tumor, que pode estar dentro do osso (na medula), fora dele, ou em ambas as localizações, sendo que, no último caso, o chamamos de mieloma múltiplo. Essa condição atrapalha o desenvolvimento de outras células do local, inclusive as que constituem nossos ossos, causando malformações nesse tecido.

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As células afetadas, os plasmócitos, são as principais formadoras das proteínas de defesa do nosso organismo, os famosos anticorpos. Desse modo, outra característica importante desse câncer é a anormalidade no sistema imune do paciente afetado, o que nos permite dizer que o mieloma múltiplo também se trata de uma doença hematológica, ou seja, do sangue.

Segundo pesquisadores da área, esse tipo de câncer corresponde a 1% de todos os canceres e 10% dos canceres hematológicos e é necessário estar atento aos sinais e sintomas iniciais da doença para melhor tratamento e chance de cura.

Quais os sintomas do mieloma?

Os sinais e sintomas do mieloma dependem basicamente de duas condições: a quantidade de plasmócitos defeituosos que adentram a medula óssea e a quantidade da produção da chamada proteína M, uma imunoglobulina defeituosa produzida por essas células cancerígenas.

Desse modo, a maioria dos pacientes, principalmente no estado inicial da doença, são assintomáticos, o que dificulta o diagnóstico e tratamento precoce. Porém, em casos mais agressivos, o indivíduo pode apresentar os seguintes sintomas: cansaço, fraqueza, perda de peso, perda do apetite, sede exagerada, constipação, inchaço nas pernas, dores ósseas e fraturas espontâneas.

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Além dos sintomas, a infiltração de plasmócitos pode levar a aparecimentos anormais em exames laboratoriais e de imagem, tais como: baixa contagem de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, osteoporose, aumento de creatinina no sangue (indicativo de problemas nos rins), aumento anormal de cálcio no sangue, entre outros.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica de um quadro de mieloma devido aos sintomas, prosseguindo com exames como: o mielograma, que vai analisar a medula óssea, onde as células do sangue são produzidas, e mostrar a presença dos plasmócitos anormais; exames de sangue, que vão indicar um quadro de anemia e de redução das proteínas sanguíneas; e também a eletroforese de proteínas, que vai mostrar o aparecimento da proteína M, a qual é produzida por esse plasmócito anômalo. Além disso, são feitos exames de imagem, como o Raio X, que vão mostrar alterações nos ossos da maioria dos pacientes com mieloma.

Prognóstico

Estudos mostram que a média de sobrevivência em pacientes com mieloma é de cerca de 6 anos, mas é extremamente importante ressaltar que isso varia muito de acordo com as condições de cada paciente e vai depender de inúmeros fatores, como o estágio da doença, a forma que o organismo está reagindo ao tratamento e o estado de saúde de cada um.

População de risco

A maioria dos casos de mieloma aparecem após os 65 anos de idade, sendo mais comum na população negra. Outros fatores que aumentam o risco são a presença de casos de mieloma na família, devido a doença ter um caráter hereditário, e a exposição a agentes tóxicos e a radiação, que favorecem a mutação das células e então o desenvolvimento da doença

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Tratamento e prevenção

O tratamento do mieloma múltiplo pode ser bastante complexo e pode variar dependendo do estágio da doença, da saúde geral do paciente e da sua resposta ao tratamento. Alguns dos principais tratamentos disponíveis incluem quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e transplante de células-tronco.

A quimioterapia é um tratamento que usa medicamentos para matar células cancerosas. A radioterapia utiliza radiação para destruir as células cancerosas. A terapia-alvo é uma opção de tratamento mais recente que se concentra em alvos específicos nas células cancerosas, para ajudar a matá-las ou impedir que elas cresçam. O transplante de células-tronco é um procedimento que envolve a coleta de células-tronco do próprio paciente ou de um doador e a infusão dessas células na corrente sanguínea do paciente, para ajudar a restaurar as células sanguíneas saudáveis.

Além dessas opções de tratamento, também existem terapias de suporte que ajudam a controlar os sintomas do mieloma múltiplo e a melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso pode incluir medicação para aliviar a dor, suplementos de cálcio e vitamina D para fortalecer os ossos e terapia física para melhorar a mobilidade.

Embora o tratamento possa ajudar a controlar os sintomas e prolongar a vida do paciente, a prevenção ainda é a melhor forma de lidar com o mieloma múltiplo. Infelizmente, não se conhece uma maneira específica de prevenir a doença, mas existem algumas medidas que podem ajudar a reduzir o risco. Isso inclui evitar exposição a produtos químicos tóxicos, como herbicidas e solventes, e manter uma alimentação saudável e um estilo de vida ativo.

Além disso, a conscientização é fundamental na prevenção e diagnóstico precoce do mieloma múltiplo. É importante que as pessoas estejam cientes dos sinais e sintomas da doença e realizem exames regulares de rotina para detectar precocemente o câncer. O diagnóstico precoce pode ser a diferença entre um tratamento bem-sucedido e complicações graves.

Em conclusão, embora o tratamento do mieloma múltiplo possa ser complexo, a prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores maneiras de lidar com a doença. É importante estar ciente dos fatores de risco e tomar medidas preventivas, além de realizar exames regulares para detectar precocemente a doença. Com a conscientização e os cuidados adequados, é possível ajudar a reduzir o impacto do mieloma múltiplo na vida das pessoas afetadas pela doença.

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Texto produzido por: Guilherme Linha Secco, Renan Maeda, Camila Caruso e Angelica Araújo

Referências

Mieloma múltiplo: uma revisão | Colunistas - Sanar Medicina. Sanar | Medicina. Disponível em:

<https://www.sanarmed.com/mieloma-multiplo-uma-revisao-colunistas>. Acesso em: 2 mar. 2023.

RAJKUMAR, S. Vincent. Multiple myeloma: 2022 update on diagnosis, risk stratification, and management. American Journal of Hematology, v. 97, n. 8, p. 1086–1107, 2022.

Mieloma múltiplo - Hematologia e oncologia. Manuais MSD edição para profissionais. Disponível em: <https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/doen%C3%A7as-plasmo cit%C3%A1rias/mieloma-m%C3%BAltiplo>. Acesso em: 2 mar. 2023.

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