
Março é o mês de conscientização do mieloma múltiplo, condição que vem ganhando destaque nos últimos anos. Você sabe do que se trata essa doença? Quais são os sintomas, grupos de risco, diagnóstico e tratamento? Nesse texto explicaremos de forma sucinta as características dessa doença.
O que é mieloma?
Mieloma é um câncer que se desenvolve na medula óssea, através de células chamadas de plásmócitos. Por inúmeros motivos, essas células sofrem mutação e começam a se multiplicar sem controle, formando um tumor, que pode estar dentro do osso (na medula), fora dele, ou em ambas as localizações, sendo que, no último caso, o chamamos de mieloma múltiplo. Essa condição atrapalha o desenvolvimento de outras células do local, inclusive as que constituem nossos ossos, causando malformações nesse tecido.
As células afetadas, os plasmócitos, são as principais formadoras das proteínas de defesa do nosso organismo, os famosos anticorpos. Desse modo, outra característica importante desse câncer é a anormalidade no sistema imune do paciente afetado, o que nos permite dizer que o mieloma múltiplo também se trata de uma doença hematológica, ou seja, do sangue.
Segundo pesquisadores da área, esse tipo de câncer corresponde a 1% de todos os canceres e 10% dos canceres hematológicos e é necessário estar atento aos sinais e sintomas iniciais da doença para melhor tratamento e chance de cura.
Quais os sintomas do mieloma?
Os sinais e sintomas do mieloma dependem basicamente de duas condições: a quantidade de plasmócitos defeituosos que adentram a medula óssea e a quantidade da produção da chamada proteína M, uma imunoglobulina defeituosa produzida por essas células cancerígenas.
Desse modo, a maioria dos pacientes, principalmente no estado inicial da doença, são assintomáticos, o que dificulta o diagnóstico e tratamento precoce. Porém, em casos mais agressivos, o indivíduo pode apresentar os seguintes sintomas: cansaço, fraqueza, perda de peso, perda do apetite, sede exagerada, constipação, inchaço nas pernas, dores ósseas e fraturas espontâneas.
Além dos sintomas, a infiltração de plasmócitos pode levar a aparecimentos anormais em exames laboratoriais e de imagem, tais como: baixa contagem de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, osteoporose, aumento de creatinina no sangue (indicativo de problemas nos rins), aumento anormal de cálcio no sangue, entre outros.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica de um quadro de mieloma devido aos sintomas, prosseguindo com exames como: o mielograma, que vai analisar a medula óssea, onde as células do sangue são produzidas, e mostrar a presença dos plasmócitos anormais; exames de sangue, que vão indicar um quadro de anemia e de redução das proteínas sanguíneas; e também a eletroforese de proteínas, que vai mostrar o aparecimento da proteína M, a qual é produzida por esse plasmócito anômalo. Além disso, são feitos exames de imagem, como o Raio X, que vão mostrar alterações nos ossos da maioria dos pacientes com mieloma.
Prognóstico
Estudos mostram que a média de sobrevivência em pacientes com mieloma é de cerca de 6 anos, mas é extremamente importante ressaltar que isso varia muito de acordo com as condições de cada paciente e vai depender de inúmeros fatores, como o estágio da doença, a forma que o organismo está reagindo ao tratamento e o estado de saúde de cada um.
População de risco
A maioria dos casos de mieloma aparecem após os 65 anos de idade, sendo mais comum na população negra. Outros fatores que aumentam o risco são a presença de casos de mieloma na família, devido a doença ter um caráter hereditário, e a exposição a agentes tóxicos e a radiação, que favorecem a mutação das células e então o desenvolvimento da doença
Tratamento e prevenção
O tratamento do mieloma múltiplo pode ser bastante complexo e pode variar dependendo do estágio da doença, da saúde geral do paciente e da sua resposta ao tratamento. Alguns dos principais tratamentos disponíveis incluem quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e transplante de células-tronco.
A quimioterapia é um tratamento que usa medicamentos para matar células cancerosas. A radioterapia utiliza radiação para destruir as células cancerosas. A terapia-alvo é uma opção de tratamento mais recente que se concentra em alvos específicos nas células cancerosas, para ajudar a matá-las ou impedir que elas cresçam. O transplante de células-tronco é um procedimento que envolve a coleta de células-tronco do próprio paciente ou de um doador e a infusão dessas células na corrente sanguínea do paciente, para ajudar a restaurar as células sanguíneas saudáveis.
Além dessas opções de tratamento, também existem terapias de suporte que ajudam a controlar os sintomas do mieloma múltiplo e a melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso pode incluir medicação para aliviar a dor, suplementos de cálcio e vitamina D para fortalecer os ossos e terapia física para melhorar a mobilidade.
Embora o tratamento possa ajudar a controlar os sintomas e prolongar a vida do paciente, a prevenção ainda é a melhor forma de lidar com o mieloma múltiplo. Infelizmente, não se conhece uma maneira específica de prevenir a doença, mas existem algumas medidas que podem ajudar a reduzir o risco. Isso inclui evitar exposição a produtos químicos tóxicos, como herbicidas e solventes, e manter uma alimentação saudável e um estilo de vida ativo.
Além disso, a conscientização é fundamental na prevenção e diagnóstico precoce do mieloma múltiplo. É importante que as pessoas estejam cientes dos sinais e sintomas da doença e realizem exames regulares de rotina para detectar precocemente o câncer. O diagnóstico precoce pode ser a diferença entre um tratamento bem-sucedido e complicações graves.
Em conclusão, embora o tratamento do mieloma múltiplo possa ser complexo, a prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores maneiras de lidar com a doença. É importante estar ciente dos fatores de risco e tomar medidas preventivas, além de realizar exames regulares para detectar precocemente a doença. Com a conscientização e os cuidados adequados, é possível ajudar a reduzir o impacto do mieloma múltiplo na vida das pessoas afetadas pela doença.
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Texto produzido por: Guilherme Linha Secco, Renan Maeda, Camila Caruso e Angelica Araújo
Referências
Mieloma múltiplo: uma revisão | Colunistas - Sanar Medicina. Sanar | Medicina. Disponível em:
<https://www.sanarmed.com/mieloma-multiplo-uma-revisao-colunistas>. Acesso em: 2 mar. 2023.
RAJKUMAR, S. Vincent. Multiple myeloma: 2022 update on diagnosis, risk stratification, and management. American Journal of Hematology, v. 97, n. 8, p. 1086–1107, 2022.
Mieloma múltiplo - Hematologia e oncologia. Manuais MSD edição para profissionais. Disponível em: <https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/hematologia-e-oncologia/doen%C3%A7as-plasmo cit%C3%A1rias/mieloma-m%C3%BAltiplo>. Acesso em: 2 mar. 2023.