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A mesa como extensão de quem você é!

Um olhar voltado para o visual, para o acabamento, para o que pode ser visto.

Jornal Ponta Grossa
Por: Jornal Ponta Grossa Fonte: Pedro Ernesto Macedo
01/05/2026 às 13h11
A mesa como extensão de quem você é!
Foto: divulgação

Juliana Ventura

Durante muito tempo, a mesa posta foi tratada como um exercício de composição. Escolher louças, coordenar cores, organizar elementos de forma harmônica. Um olhar voltado para o visual, para o acabamento, para o que pode ser visto.
Mas existe um ponto que raramente é explorado com profundidade: a mesa não comunica apenas estética. Ela comunica identidade.

A forma como uma mesa é pensada, organizada e apresentada carrega, ainda que de maneira silenciosa, traços de quem a constrói. Preferências, referências, valores, repertório e até a forma como aquela pessoa se posiciona no mundo.

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Por isso, mais do que replicar composições prontas ou seguir padrões estabelecidos, montar uma mesa é um exercício de expressão.

Cada escolha revela algo.

A neutralidade pode comunicar sobriedade ou praticidade. O excesso de elementos pode indicar uma busca por impacto ou até insegurança na condução do encontro. A simplicidade, quando intencional, transmite segurança. Já a falta de coerência entre os elementos pode gerar ruído, não visual, mas sensorial.

E é nesse ponto que a percepção se torna fundamental.

Uma mesa bem construída não é aquela que segue regras com precisão, mas aquela que sustenta uma narrativa coerente. Existe uma linha invisível que conecta todos os elementos, das cores à disposição, da escolha das peças ao tipo de serviço. Quando essa linha existe, há harmonia. Quando não, há desconexão.
O mais interessante é que essa leitura não acontece de forma racional. As pessoas não necessariamente sabem explicar por que uma mesa as agrada mais do que outra. Mas sentem.

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E isso acontece porque, no fundo, o que está sendo percebido não é a mesa em si, mas o que ela representa.
Assim como na construção de uma marca, onde o produto é apenas um veículo para um significado maior, a mesa também funciona como um símbolo. Ela não é o fim, mas o meio pelo qual se expressa um estilo de vida, uma forma de receber, uma maneira de se relacionar com o outro.

Quando essa consciência não existe, é comum cair em um dos extremos: ou na reprodução de padrões sem identidade, ou no excesso de informação sem intenção. Em ambos os casos, a mesa perde força como elemento de conexão.
Por outro lado, quando há clareza sobre o que se quer comunicar, até o simples ganha potência. Porque passa a existir coerência.

E coerência é o que sustenta a elegância.

A mesa, nesse contexto, deixa de ser um elemento isolado e passa a integrar um todo maior: o comportamento, o ambiente, a condução do encontro. Tudo precisa conversar.
Não se trata, portanto, de montar uma mesa bonita. Trata-se de construir uma experiência alinhada com quem você é. Porque, no fim, a mesa não é apenas o que se vê.

É o que ela revela.

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As informações e opiniões expressas neste artigo são de inteira responsabilidade do colunista e não refletem, necessariamente, a visão editorial do Jornal Ponta Grossa.

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Pedro Ernesto Macedo
Pedro Ernesto Macedo
Pedro Ernesto Macedo não é apenas um narrador de fatos; é um estrategista da entrevista. Com uma trajetória marcada pelo acesso aos gabinetes mais restritos e aos palcos mais iluminados do país, Pedro construiu sua reputação sobre um pilar inegociável: a provocação inteligente. Para ele, o jornalismo só cumpre sua função social quando a pergunta retira o entrevistado da zona de conforto, revelando o que está por trás do discurso ensaiado.
Ao longo de décadas de atuação, sua assinatura tornou-se sinônimo de credibilidade e perspicácia. Transitando com maestria por diferentes editorias, Pedro entrevistou as figuras que definem o Brasil contemporâneo — da política à economia, da cultura ao esporte. Sua habilidade consiste em humanizar o mito e, ao mesmo tempo, cobrar a responsabilidade da autoridade, sempre com o rigor técnico que o ofício exige.
Contundência Ética: Perguntas difíceis feitas com a elegância de quem domina o assunto.
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