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Pesquisa da UEPG descobre nova espécie de molusco em fóssil em Ponta Grossa

O trabalho é desenvolvido por um professor e um acadêmico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Eles identificaram o Actinopteria grahn...

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Por: Notícias Fonte: Secom Paraná
03/06/2026 às 09h37

Uma publicação na última edição da Historical Biology, periódico científico de Paleobiologia do Reino Unido, confirma a descoberta de uma nova espécie de molusco encontrado na região de Ponta Grossa. O trabalho é desenvolvido por um professor e um acadêmico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Eles identificaram o Actinopteria grahni a partir da análise de um fóssil de 400 milhões de anos. A espécie foi encontrada em um sítio paleontológico localizado no Jardim Giana, conhecido como Curva 2 – um afloramento rico em fósseis conhecido desde os anos 80.

O trabalho levou aproximadamente um ano e meio, desde a descoberta da espécie até a publicação no periódico internacional, no dia 19 de maio. O professor Elvio Pinto Bosetti e o aluno do doutorado em Geografia, Kevin William Richter, ambos da UEPG, convidaram os professores do Museu Nacional (UFRJ), Sandro Marcelo Scheffler, e da Unesp de Bauru, Renato Ghilardi, para colaborar com a pesquisa.

A descoberta acontece depois que oActinopteria langei, um molusco do mesmo gênero e com grande semelhança com a nova espécie, já havia sido encontrados nesta região de Ponta Grossa. Inicialmente, a proposta era encontrar mais exemplares deste molusco. “O Kevin decidiu que faria um artigo com esses bichos. Ele falou: vou voltar lá no campo onde vocês encontraram e vou procurar mais. Ele achou mais umas 20. Nesses 20, veio uma espécie que o especialista do Museu Nacional disse: olha, isso aqui é uma espécie nova”, conta o professor Elvio.

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As atividades que resultaram na publicação integram o grupo de pesquisa Palaios de Paleontologia Estratigráfica. “Encontrar a espécie é sorte, né? Nós mais ou menos sabemos onde procurar, mas encontrar um bicho raro é sorte”, alega o professor.

Os primeiros registros de espécies Actinopteria na região foram realizados na década de 60 pelo paleontólogo Setembrino Petri. Com a nova descoberta, o número de espécimes conhecidos aumenta e permite melhor compreensão da fauna e dos padrões de dispersão entre bacias sedimentares. “Do ponto de vista paleoecológico, o estudo permitiu interpretar que essas espécies viviam em ambientes marinhos rasos e parcialmente enterradas no substrato, apresentando adaptações relacionadas a esses paleoambientes”, explica Kevin.

Com o avanço da pesquisa, Elvio e Kevin decidiram reforçar a equipe. O professor Sandro Scheffer, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, especializado em taxonomia e classificação, integrou o trabalho. Já o professor Renato Ghilardi e seu aluno de pós-doutorado Victor Rodrigues Ribeiro, ambos da Unesp de Bauru, também contribuíram na parte de paleografia e distribuição das espécies na América do Sul.

“A maioria dos fósseis são fruto de catástrofes. Você tem o período devoniano, de 400 milhões de anos, que é de um mar marcado por tempestades. Essas tempestades que fossilizam, matam a vida e fica o registro”, explica Elvio. Ele conta que a região de Ponta Grossa foi fundo de mar e integrava a bacia do Paraná. “É a bacia do Paraná, onde esse mar ocorreu, com 1.600.000 km². Ela pegava da Argentina até o Tocantins e, em Ponta Grossa, essas camadas ficaram preservadas”, explica.

A partir da análise e comparação entre as imagens das espécies Actinopteria langei e Actinopteria grahni, foi possível detectar que se tratava de uma nova espécie. O contorno da concha, a morfologia da aurícula anterior, a expansão posterior e a ornamentação radial foram alguns dos pontos examinados em que se pôde perceber a diferença entre as espécies.

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“A bem desenvolvida aurícula lobular, embora ocupe uma pequena área da margem anterior, distingue essa espécie de todas outras espécies brasileiras, particularmente da Actinopteria lancei, na qual a aurícula é muito pequena”, explica um trecho do artigo.

De acordo com o professor Elvio, a próxima etapa da pesquisa é encontrar mais conchas do Actinopteria grahni. “Vamos voltar a esse local para encontrar mais espécies como essa. A ideia é que museus e pessoas que trabalham com isso, que tinham materiais como esse, reavaliem o que eles tinham e acreditavam ser outra espécie. Afinal, a ciência é uma constante reavaliação”, explica.

Outra perspectiva é o interesse que a descoberta pode gerar para o setor produtivo. “Quanto mais eu conheço esses mares antigos, maior o potencial de encontrar gás natural. Eu barateio o custo de produção, porque onde tem matéria orgânica é um indício de onde pode ter óleo ou gás”, explica.

NOME– O nome da espécie homenageou o professor sueco Carl Yngve Grahn, falecido em 2025, pelas suas contribuições na bioestatigrafia do Brasil – especialmente, na Escarpa Devoniana no Paraná. “Ele nos ajudou muito no laboratório e trabalhou 20 anos com a gente. Basicamente, foi ele quem nos colocou no meio internacional e decidimos fazer essa homenagem”, explica Elvio. Ele reforça que Grahn esteve na UEPG várias vezes, faleceu quando morava na Espanha e morou por muito tempo no Brasil. “Era um sueco que não aguentava mais o frio”, brinca o professor.

PESQUISA– O grupo Palaios foi fundado em 2000, com vínculo ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), e credenciado pela UEPG. Atualmente, pesquisadores de sete universidades distintas participam. São 17 doutores que integram o grupo, que é composto por geólogos, biólogos e geógrafos, sendo todos paleontólogos. Trabalhos de campo são desenvolvidos no Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Piauí.

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