quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A Ponta Grossa onde vivi

Foto: divulgação
Fechou a Ponta Grossa onde eu vivi.
Só não fechou este meu tempo de guri.
Saudade da Ponta Grossa dos meus tempos de guri.

Das partidas do “bete-ombro”.
Do jogo de tique.
De pular corda e amarelinha riscada de giz na calçada.
Do jogo de búrico (bolinhas de gude, de vidro…).
Dos treinos no campinho com as bolas de “capotão” da Casa Ipê.
Saudade do jogo do bafo com as Balas Zequinha.
Tinha Zequinha Médico.
Zequinha Radialista.
Zequinha Motorista.
Zequinha Papai Noel (a mais difícil, quase não saía).
Tinha até Zequinha Ladrão.
As figurinhas embrulhavam aquelas balas ruins, que ninguém chupava,
mas que divertiram muito a piazada.
No jogo do bafo era proibido cuspir na mão.
Dos balões de São João que iluminavam as noites frias de Ponta Grossa dos meus tempos de guri. Normalmente subiam do estádio do Guarani.
Era Balão de todos os tamanhos e de todas as formas.
Tinha as raias (pipas, pandorgas, papagaios) que esvoaçavam pelos campos.
Éramos felizes os piás de Ponta Grossa.
Espremidos nas calças curtas os piás e as meninas nas suas saias de sarja azul marinho, todas pregueadas, como mandava o uniforme escolar.
Levavam para a escola um punhado de bolachas Duchen e meia garrafa de Capilé.
Às vezes, Crush ou Mirinda.
Quando não, um suco de uva Grapete.
Ou gasosa de framboesa da Cini.
Prá variar, Minuano.
Tinha uns que levavam Bidu-Cola ou Guaraná Caçulinha, com bolacha Maria.
Aos domingos, faceiros, no terninho de marinheiro iam à matinê do Inajá ou do Cine Ópera para ver Tom e Jerry.
As meninas, gabolas, enfeitadas em suas saias godê.
Sapatos da Belo Horizonte, camisa Volta ao Mundo e calça de Tergal.
Piá nenhum admitia vestir o tal de brim coringa que não encolhe, aquele tecido azulão grosso, especial para macacão de mecânico, que hoje chamam de jeans.
As meninas vestiam tafetá ou veludo, também em festas,
Piás felizes chutando bola, descalços,
sobre as rosetas dos campinhos por todos os lados.
Esse tempo acabou, assim como acabou a Modelar.
Cadê seu Trentini e sua Alfaiataria.
Não tem mais Móveis Cimo das Lojas JOÃO VARGAS DE OLIVEIRA
Já não se ouve mais o apito das Indústrias Wagner.
A loja Zeni e a casa Iris também desapareceram.
A Joalheria Romano, a Importadora MOPASA, que vendia o Simca Chambord e o Simca Rally.
Desapareceu o Frischman's.
Não tem mais o Prosdócimo.
Não tem mais o Cine Inajá.
Cadê o Cine Caribe, o Império, o Pax, o Renascença, o Ópera.
Acabaram as matinês do domingo à tarde.
Se você aprontava durante a semana lá se ia a matinê de domingo.
Era ficar na janela vendo os amigos irem, com um monte de gibis embaixo do braço.
Lembram que quando o mocinho beijava a mocinha todo mundo fazia barulho com os pés no assoalho de madeira do cinema?
Não tem mais o bar do Portuga.
Nem a Massalândia da Tatinha.
Que saudade da sorveteria do Jaronski, ou da sorveteria do Paraguaio, Seu Donato Rujilo.
E o Bar Tapajós, na XV.
O Hermes Macedo – do Rio Grande ao Grande Rio – que rumo tomou?
E o Prosdócimo?
Não vejo mais as Óticas Boa Vista.
Onde foi parar a F. Barros, que vendia Chevrolet?
O Magazine Ricardo Kossatz,
onde se comprava o esporte-fino para ser exibido nos chás-dançantes.
Mesmo fim levaram Calçados Pelissari, Lojas Buri.
Acabou-se a bomboniere da Anastácia.
Acabou o neon dos Chapéus Prada do Ponto Azul.
E a Farmácia Minerva, que vendia Zig e Mercúrio-Cromo e também pasta Kolynos, creme dental Eucalol e sabonete Lifebuoy.
Será que ainda existe o Talco Ross?
E o Rum Creosotado?
E Auricedina?
E a Pomada Minâncora?
E o Vinho Reconstituinte Silva Araújo?
E o Regulador Xavier:
número 1 excesso
número 2 escassez
E Antissardina
( o segredo da beleza feminina ).
E o Creme Rugol.
E as Pílulas de Vida do Doutor Ross – fazem bem ao fígado de todos nós , Cibalena, Varamon e Cafiaspirina,
Glostora e Gumex.
Na Augusto Ribas ficava a Musical Tupi.
Fechou o Banco Sul Brasileiro, quebrou o Banestado.
E o Bamerindus ?
Cadê o Colégio São Luís, e a saída do Sant'Ana com as suas alunas, tão bonitas e invejadas.
E as normalistas do Instituto de Educação por onde andarão?
Acabaram-se os doces do carrinho do baiano e os queijos da Casa do Queijo.
O pão sovado do Woight em que forno se enfornou?
Fechou a Churrascaria Gralha Azul.
Não tem mais o açougue do Telinha.
Acabou-se o rabo-de-galo do Bar do Portuga, e o filé completo.
Restou a saudade.
O Adega Suíça desapareceu.
Até o Gruta Azul sumiu.
A canja do bar da Emilia no final da madrugada.
Fechou a Ponta Grossa onde vivi.
Só não fechou este meu tempo de guri.
Dele, resta o lamento:
Esta vida é uma viagem;
pena eu estar só de passagem
Dela, um alento:
Para quem viaja ao encontro do sol é sempre madrugada.
De mim, o consolo:
Saudade és a ressonância de uma cantiga sentida.
Que embalando a nossa infância
Nos segue por toda a vida .
Ponta Grossa querida DOS BONS TEMPOS, que bom que eu te vivi!

(Desconheço a autoria)

Um comentário:

Jr.Victor Hugo disse...

Excelente! Nos leva em saudades de tempos idos! Grato!

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