terça-feira, 29 de outubro de 2019

Filosofia de Rua – parte 7 por Emerson Pugsley

Foto: divulgação

Abrimos as cortinas, para a continuação da série, de pequenas crônicas, sobre o cotidiano da cidade de Ponta Grossa e também do povo que nela reside.


Continuando a minha jornada, pelas ruas da cidade, me deparei com muita fumaça, próximo de onde resido. A mesma é rotineira. Até comento com as pessoas próximas, que os nossos vizinhos não tem televisão em casa e divertem-se colocando fogo no que encontram pela frente.

No final de tudo, aquele cheiro infernal, cinzas e problemas respiratórios.

Passei pela frente de um bar, no final da tarde. O mesmo estava lotado e o que me chamou a atenção, foi a enorme quantidade de automóveis em sua frente, até em cima da calçada. Será que estão tomando água com gás ou sem gás? Deixo a preocupação.

Próximo do nosso camelódromo, em meio aos muitos vendedores e flanelinhas de plantão, temos um vendedor de caldo de cana com sua motocicleta adaptada. São os nossos trabalhadores informais, lutando pelo pão diário.

Na Benjamin Constant, no final da tarde, percebi um jovem atleta. O mesmo correndo bastante. O que achei mais estranho, é que ele corria no mesmo lugar, em uma esquina bastante movimentada. Fiquei torcendo, para que nenhum veículo o atingisse em cheio.

Caminhando, pelo asfalto quente na hora do almoço, fiquei entristecido, pois observei duas aves iguais e esmagadas. É sinal que a natureza, não aprendeu a conviver, com o aumento da frota de veículos, caminhões e ônibus.

Em dias de primavera, as árvores que restaram na cidade, depositando suas muitas folhas e flores no chão. Alguém, depois vai reclamar na hora de juntá-las.

Também observei um pequeno menino uniformizado, de mãos dadas com uma senhora e uma mochila de rodinhas em direção a escola. Dentro de uma sacola um carrinho bonito, daqueles que toda criança gostaria de ganhar. E na calçada próxima, com a cabeça no sol quente, um senhor já idoso e bastante magro, com uma calça que daria para vestir dois homens. São as contradições da presente realidade.

No salão do barbeiro, vários clientes e muito cabelo pelo chão. Que bom, se os nossos problemas, também pudessem ser cortados rapidamente do nosso convívio. Mas sabemos que não é bem assim. É preciso encará-los de frente.

Enfim, chegou a noite e as movimentações de alunos, trabalhadores, senhoras e crianças com seus rostos dormentes. É o cansaço não pedindo licença para entrar.

Finalmente, no meio dos ansiosos passageiros, aguardando o ônibus, surge uma jovem, com aparência desnutrida e roupas simples. A mesma, distribui pequenos pedaços de papel fotocopiado e seus pedidos de ajuda. Será que o amor ao próximo foi jogado no lixo? Deixo a pergunta a todos os leitores.

Em breve, a sequência desta série. Espero que aproveitem e reflitam.


Emerson Pugsley, o autor é cronista, formado em Geografia com Especialização em Espaço, Sociedade e Meio Ambiente. Já tem várias publicações em diversos meios de comunicação e participa como colunista voluntário no Jornal Ponta Grossa, desde 2017.

*As declarações expressas aqui, não representam a opinião do Jornal Ponta Grossa. Reservando apenas a opinião e ponto de vista individual do autor.

EU CONCILIO

EU CONCILIO
Eu Concilio - Mediação e Conciliação

Postagem em destaque

Universidade de Brasília lança neste dia 15 a Escola para Cidadania com cursos livres e gratuitos

A Universidade de Brasília, sensível à necessidade de atender a uma grande demanda pela oferta de cursos livres e gratuitos de capacita...

Postagens mais visitadas da semana

CONTATO

E-mail: jornalpontagrossa.com@gmail.com
Cel.: (42) 9.8874-8154

FALE CONOSCO:

Nome

E-mail *

Mensagem *