segunda-feira, 4 de março de 2019

Os Nossos Excluídos Urbanos por Emerson Pugsley

Penso eu, que é um problema de todas as cidades, mas vamos pensar mais perto de nós. Quem anda pela cidade de Ponta Grossa, percebe uma diversidade de pessoas com suas características e jeitos próprios. Mas quero refletir um pouco, sobre todos aqueles, que encontram-se abandonados a própria sorte.

Ao sairmos pelas ruas centrais, precisamos parar nos semáforos. Então surgem rapazes e moças, com suas roupas judiadas e aparências sofridas. Com suas “peripécias circenses”, tentam mostrar um pouco do seu “trabalho”, jogando garrafas no ar, brincando com fogo, entre outras coisas. No final do “espetáculo” é só passar o chapéu para tentar ganhar algum dinheiro ou moedinhas dos motoristas.

É o nosso cotidiano, que não tem dia, muito menos hora para funcionar. O tempo todo, nos quatro cantos da cidade, a luta pela sobrevivência é travada incessantemente.

Ao passarmos pelo Calçadão da Cel. Cláudio, percebe-se uma convivência pacífica entre deficientes físicos, pessoas idosas, vendedores ambulantes e população. O que mais me chama a atenção são pessoas que literalmente rastejam pelo chão, sem qualquer qualidade de vida e saúde. Suas deficiências não permitem uma locomoção correta.

Todos os dias, acordo cedinho para me deslocar ao meu trabalho. Fico próximo ao terminal central, aguardando o meu ônibus. Percebo um senhor idoso, de cabelos brancos, roupas velhas, deitado no chão de concreto, envolto em caixas de papelão, com um cachorro ao seu lado. Vejo sempre esta cena. Fico então a pensar, no que a nossa cidade tem feito para melhorar a condição destas e de outras pessoas. Muito complicado vocês podem me dizer.

A exclusão humana é uma das piores que podemos vivenciar. Tenho certeza, que estas pessoas gostariam de ter uma vida diferente, com um teto para abrigar-se, alimento saudável e um trabalho digno. Temos assistido diferentes Leis sendo elaboradas. Umas proibindo bebidas nas ruas, outras a presença dos conhecidos “flanelinhas”, mas falta elaborar uma Lei proibindo a exclusão social. Ainda assim temos muitos desafios pela frente. A desigualdade é esmagadora em nosso município.

Os reflexos aparecem rapidamente. O aumento da violência, crimes diários, assassinatos sem qualquer motivo, são o resultado de uma cidade que buscou o “progresso”, mas deixou de lado o respeito. É preciso agir enquanto é tempo. Investir em abrigos temporários, alimentação, saúde, cursos profissionalizantes gratuitos, etc..

Gostaríamos de ir até as praças, e não ver nenhum mendigo largado em seus bancos, de andar pelas ruas e não observar seres humanos maltratados. É ainda um sonho utópico tudo isto, mas para tudo precisa um começo.

Deixo a reflexão para todos os leitores, para que possamos ver a melhor maneira de auxiliar estas vidas excluídas pelo sistema capitalista. Espero que um dia possamos escrever fatos mais alegres. É para pensar! Uma ótima semana!

Elogios, sugestões e críticas: emersonpugsley@bol.com.br


Emerson Pugsley, o autor é cronista, formado em Geografia com Especialização em Espaço, Sociedade e Meio Ambiente. Já tem várias publicações em diversos meios de comunicação e participa como colunista voluntário no Jornal Ponta Grossa, desde 2017.


*As opiniões e declarações expressas aqui não representam a posição do Jornal Ponta Grossa. Reservando apenas a opinião e pontos de vistas individuais do autor.

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