segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A violência da fronteira: o caso da Venezuela por Paulo Pinheiro

Nos últimos dias a Venezuela vem passando por uma crise nunca vista e que está tendo reflexos aqui no Brasil.

Aquele país já vinha passando por diversas crises políticas desde que Hugo Chávez assumiu o poder e implantou um regime socialista de cunho bolivariano (socialismo do século XXI, como chamava Chávez) posteriormente chamado de "chavismo".

Chávez exerceu três mandatos na Venezuela (1998, 2000 e 2006) e sob seu comando, aquele país sofreu uma tentativa de golpe no ano de 2002.

Para quem se recorda a comunidade internacional condenou a tentativa de golpe, incluindo o Brasil então governado por FHC.

A política socialista chavista se mostrou ameaçadora aos interesses de outros países, principalmente porque a Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo. Não precisamos citar quais países têm interesse direto no petróleo, certo?

Pois bem, com a morte de Chávez no ano de 2013 seu vice-presidente, Nicolás Maduro, assumiu o cargo e deu continuidade à política chavista.

Dentro desse socialismo do século XXI, em menos de 10 anos (2002 - 2011) a pobreza reduziu de 48,6% para 29,5% da população do país, e número de pessoas que se encontravam em situação de indigência, neste mesmo período, reduziu de 22,2% para 11,7% da população, segundo fontes oficiais, que ainda apontaram aumento no IDH do país.

Além de maior produtor de petróleo, esse produto é a principal fonte de receita do país e os commodities respondiam por cerca de 96% da renda da Venezuela.

A dependência quase que exclusiva deste produto que é cotado em dólar deixou a Venezuela à mercê do mercado (entenda clicando aqui) e o país acabou sofrendo embargos econômicos dos EUA, que proibiu várias empresas de negociarem com a Venezuela (Entenda clicando aqui). Em razão disso não se tem mais remédio, alimentos, dentre outros produtos.

Parece-me o cenário perfeito para que alguém passe a ter controle sobre a grande reserva de petróleo da Venezuela: uma crise econômica e política que ganha contornos militares.

Boaventura de Souza Santos alerta para esse contexto de crise na Venezuela e sobre os interesses externos que estão em jogo neste vídeo: veja o vídeo aqui.

Aliado a isso existem as declarações pretensiosas (puras provocações) do Chefe de Estado brasileiro, dando a entender que o Brasil estaria disposto a intervir militarmente para depor Nicolás Maduro.

Vamos e venhamos: nós (brasileiros) tiramos uma presidenta do poder com base num conceito de crime que só o Congresso brasileiro tem e também colocamos um ex-presidente da república na cadeia com base em atuações duvidosas do magistrado e provas frágeis. Ou seja, nós entendemos muito de democracia para intervir na Venezuela (sqn!).

Pois bem, essa tensão que está na fronteira Brasil/Venezuela e Colômbiaq/Venezuela me parece algo forjado para que os países sul-americanos tomem a iniciativa de ajudar o tal do Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente Interino da Venezuela (extremamente democrático isso), e foi reconhecido por vários países, inclusive pelo Brasil, a depor Maduro e reestabelecer a democracia naquele país.( veja quem reconhecem Guaidó como Presidente aqui).

Parece-me que nós estamos sendo usados pelas intenções de outros Estados tomarem conta do petróleo venezuelano e também me parece que há intenções bem menos altruístas por trás da ajuda humanitária que estão enviando para a fronteira.

Vamos aguardar o desfecho dessa tensão. Tempos sombrios!!!

Professor Paulo Pinheiro (CESCAGE): Bacharel em Direito, Advogado, Mestre em Ciências Sociais Aplicadas, Doutorando em Ciências Criminais, Professor do Ensino Superior, Pesquisador da área das Ciências Sociais e Ciências Criminais, Parecerista da Revista Liberdades do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).
*As opiniões e declarações expressas aqui não representam a posição do Jornal Ponta Grossa. Reservando apenas a opinião e pontos de vistas individuais do autor.

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